13 de set de 2016

O Lado Bom Da Vida | resenha.

O que você faria se tivesse preso em sua própria mente e o que parecem ser meses, na verdade foram anos e praticamente tudo em sua volta mudou? Agora me diga, e se as pessoas que você mais ama e confia, tentam ocultar o tempo que você passou "fora", sendo evasivos sobre os fatos de seu passado?




Por mais dramática que eu tenha sido nessa premissa, "O Lado Bom da Vida" não é dramático e o personagem principal não está sendo vítima de uma conspiração ao seu redor. Pat é vítima de sua própria mente e tudo o que importa pra ele, é ter sua Nikki de volta.

Romance de estreia de Matthew Quick, "O Lado Bom da Vida" retrata situações absurdas e ao mesmo tempo engraçadas que nos prende por suas páginas e nos faz refletir sobre algumas atitudes corriqueiras. 


Em um mundo de loucos, a única coisa que pode nos trazer de volta à sanidade mental é o amor. 


"Pat Peoples, um ex-professor na casa dos 30 anos, acaba de sair de uma instituição psiquiátrica. Convencido de que passou apenas alguns meses naquele 'lugar ruim', Pat não se lembra do que o fez ir para lá. O que sabe é que Nikki, sua esposa, quis que ficassem um 'tempo separados'. Tentando recompor o quebra-cabeça de sua memória, agora repleta de lapsos, ele ainda precisa enfrentar uma realidade que não parece muito promissora. Com o pai se recusando a falar com ele, a esposa negando-se a aceitar revê-lo e os amigos evitando comentar o que aconteceu antes de sua internação, Pat, agora viciado em exercícios físicos, está determinado a reorganizar as coisas e reconquistar sua mulher, porque acredita em finais felizes e no lado bom da vida."

Pat  vive em um "lugar ruim" (uma clínica psiquiátrica) na esperança de reconquistar Nikki, sua (ex-) esposa. Ele acredita que eles estão vivendo um tempo separados para ele aprender ser uma pessoa melhor e é isso que o mantem motivado a perder peso, ser gentil (ao invés de ter razão) e ler os livros que Nikki usava em suas aulas. Em um de seus vários exercícios, nota sua mãe parada e recebe a maravilhosa notícia que ele vai voltar para casa. Pat encara isso como um sinal de Deus, que o tempo separado de Nikki está finalmente chegando ao final. 

Pat volta a morar na casa de seus pais e praticamente não tem outro passatempo senão fazer suas séries de exercícios, correr e ir visitar seu novo terapeuta: Cliff, o indiano que não faz nenhum tipo de anotações e que deixa seus clientes escolherem entre a poltrona preta ou marrom. Enquanto isso, a situação na casa de Pat é meio estranha, pois seu pai finge que ele não existe. Tudo muda quando Jake, seu irmão, vem visita-lo e dá a ele uma camisa dos Eagles (time do coração da família) e qual é a melhor coisa para juntar os homens do que futebol? Os Eagles ganham e a paz volta a reinar na casa, é um processo lento e cheio de altos e baixos, mas Pat e Patrick voltam a se falar. 

Um belo dia, Ronnie, o antigo melhor amigo de Pat, vem visitá-lo no porão e convida-lo para um jantar formal em sua casa. Ronnie é casado com Verônica, e segundo Nikki, Verônica odiava Pat e controlava a vida do pobre marido. Após pensar um pouco, Pat aceita o convite (mesmo sabendo que Nikki odiaria isso) e no dia seguinte está na porta da casa do amigo, vestido com sua camisa de futebol nova e flores à Verônica. A noite tendia a ser estranhamente agradável, até que entrou em cena o furacão Tiffany, a irmã (viúva) de Verônica. Durante o jantar, Pat e Tiffany falaram pouco, em compensação, Ronnie e Verônica, falaram por eles. Aos poucos, Tiffany foi ficando saturada com tudo aquilo e quis ir embora, simples assim e Pat foi junto por livre e espontânea pressão. Ao entregar a moça em sua casa, ela fez uma super proposta indecente a Pat que rebateu logo com "eu sou casado" e ela diz que também é então, Pat sente tristeza, pois vê que ela ainda usa seu anel de casamento, mesmo que seu marido já tenha morrido. Os dois se abraçam, choram juntos por minutos e então, ela foge. 

Nos dias que se seguiram, Tiffany corre com Pat, sem dizer nada, apenas correm juntos, o que no começo o incomodou muito, entretanto, Cliff disse que talvez Tiffany precisasse de um amigo, alguém que a ajudasse e a fizesse se sentir importante e como Pat está praticando ser gentil ao invés de ter razão, ele a convida para jantar e assim, dois loucos, mentalmente machucados e com seus próprios fantasmas para lidar, transformam esse jantar no começo da mais estranha amizade. 

***

Acho que o mais incrível desse livro é que ele é tão pequeno, mas acontecem tantas coisas simultâneas, que parece que ele tem umas 300 páginas. Eu ri, chorei, fiquei com raiva, fiquei com dó e senti muita, muita empatia com Pat. Ele é um daqueles personagens que nos cativam e nos ensinam. Tiffany por sua vez me deixou extremamente irritada. O livro fala de perdão, superação, amizade, teimosia e amor, claro. 

"O Lado Bom Da Vida" trás aquela sensação de saudades dos personagens e não chega a ser depressivo, para mim, ele foi leve e bem gostoso de ler. Ah, apesar da capa ser igual ao pôster do filme, eu achei ela bem interessante, porque ela remete a um esquema de jogo de futebol americano, com algumas frases marcantes do livro e também, por mais que o filme não tenha me agradado tanto, Bradley Cooper e a Jennifer Lawrence, sempre serão meu Pat e minha Tiffany. 

Título Original: The Silver Linings Playbook
Autor: Matthew Quick 
Ano de Publicação: 2008 
Nº de Páginas: 254
Editora: Intrínseca 
Gênero: Romance; Literatura Estrangeira
Nota: 5/5

5 comentários :

  1. Adoro essas histórias que não enrolam para acontecer as coisas. É uma emoção atrás da outra!
    Tô achando que eu vou ver o filme, porque bateu uma leve curiosidade aqui haha.

    Abraços <3
    http://cantinhodaescritablog.blogspot.com.br/

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    1. Haha, eu também! Mas o nosso coração tem que ser forte.
      Ah então, o filme é MUITO diferente do livro. Mesmo. Te recomendo muito mais ler, haha.

      Beijocas <3

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  2. Eu amei esse livro! Fiz uma resenha dele no meu blog um tempo atrás, e comentei que esse era o caso de o roteiro do filme e do livro serem completamente diferentes. Pra mim, no filme a única personagem semelhante ao livro era Tiffany, ela me irritou e me emocionou. Gosto muito desse livro.

    Indiquei o seu blog para responder uma TAG, passa lá pra conferir.

    http://mundoliterariodacecy.blogspot.com.br/2016/09/beds-post-n-16-tag-versatile-blogger.html

    Beijoooo! =)

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    1. Oi Cecy!
      Realmente, "O Lado Bom da Vida" é lindo. Incrível como a Tiffany consegue ser irritante em qualquer lugar, haha.

      Obrigada pela indicação, vou responder em breve!

      Beijocas.

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  3. Esse livro ♥ Também gosto bastante do filme.
    Beijo
    Blog do Ben Oliveira

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