29 de mar de 2016

O Menino do Dedo Verde | resenha.




Às vezes a gente começa a ler uma história porque ela lembra outra e queremos ver o quão parecida com a original ela é. Foi o que aconteceu com "O Menino do Dedo Verde". 
Fui apresentada a Tistu domingo passado, por meu tio. Conforme ele ia fazendo um breve resumo do livro, já o associei com o romance de Saint-Exupéry. Porém, lendo as primeiras páginas, já podemos perceber claramente as diferenças. 

Apesar de ambos os livros serem classificados como infanto-juvenis, seus ensinamentos transcendem a classificação etária dos leitores. Admiro muito os dois autores, pela sensibilidade que tiveram para falar de coisas tão complexas, em uma linguagem tão simples e gostosa de ler. 

Agora, chega de comparação e vamos individualizar os livros e autores. 



"Diga não a guerra, mas o faça com flores"



"Era uma vez Tistu... Um menino diferente de todo mundo. Com uma vidinha inteiramente sua, o pequeno de olhos azuis e cabelos loiros deixava impressões digitais que suscitavam o reverdecimento e a alegria. As proezas de seu dedo verde eram originais e um segredo entre ele e o velho jardineiro, Bigode, para quem seu polegar era invisível e seu talento, oculto, um dom do céu. Até o final surpreendente e singelo." - Skoob




Tudo se passa na cidade de Mirapólvora, onde nasce um menino totalmente normal em circunstâncias normais que se chama João Batista, mais conhecido como Tistu. 
O menino vai crescendo completamente feliz, numa enorme Casa-Que-Brilha, com todo o conforto e amor que seus pais podem lhe oferecer. 
Até então, Dona Mamãe tinha optado por iniciar a educação de Tistu. Ele já sabia ler, escrever e fazer pequenas operações matemáticas. Tudo muda quando aos oito anos é decidido que Tistu vai à escola, porém a grande expectativa gerou uma baita decepção: Tistu dormia nas aulas e não conseguia acompanhar o ritmo dos outros. Todos ficaram inconformados! Como podia um menino tão promissor em casa, ser tão desastroso na escola? 
Foi então que Sr. Papai teve uma ideia: deixar que Tistu aprendesse sem livros nem cadernos, guiado por instrutores que não eram professores. 

Sua primeira aula foi com o Sr. Bigode: o jardineiro. Homem de poucas de palavras com humanos, mas com uma vasta disposição para conversar com suas plantas. 
A princípio a tarefa de Tistu era muito simples: encher vasos de terra e fazer um furo de polegar no meio. Tistu não se entediou, pelo contrário. Tinha até uma certa sensibilidade com a natureza. 
Tamanha foi a surpresa, quando Sr. Bigode e Tistu notaram: os vasos que ele tinha acabado de furar com o polegar, germinaram em lindas flores! Milagre? Condições climáticas? Não! Tistu tinha um dom maravilhoso: o dedo verde! 
Como sementes voam a todo instante por aí, não era espantoso que havia sementes na terra fazendo assim a alegria do jardineiro. Porém, o velho advertiu: era melhor guardar segredo sobre esse dom! 

O dia seguinte a aula foi com o Sr. Trovão, ajudante de seu pai na Fábrica de Canhões. Tistu teve aula de ordem, onde foi levado à cadeia e lá notou que os prisioneiros eram tristes, logo associou que a tristeza naquele lugar se dava pelo ambiente igualmente triste e sem cor. 
Tal qual no dia anterior germinara flores naqueles vasos, germinou assim uma ideia na cabeça do menino: usar o dom para alegrar os prisioneiros, então na calada da noite - auxiliado pela sua amiga Lua e as Constelações, fez brotar flores por toda a cadeia!

" - (...) Por que tornarem tão feios aqueles pobres prisioneiros? Isso não pode ajudá-los a melhorar... Tenho certeza de que, se me fechassem ali, mesmo sem ter feito nada de ruim, eu acabaria muito mau. Que será que a gente podia fazer para que eles sofressem menos? (...)"

No dia seguinte as atenções foram desviadas da fábrica de canhões e concentradas na cadeia de Mirapólvora. Ninguém sequer desconfiou do menino, um monte de "especialistas em flores" foram chamados para  explicar o acontecido, mas por fim acabaram dando explicações que mais confundiam do que explicavam e foram embora.

"As pessoas grandes têm a mania de querer, a qualquer preço, explicar o inexplicável."

O menino seguiu fazendo brotar alegria e cor pela cidade, sempre aconselhado por seu amigo Sr. Bigode. Arrancava sorrisos e deixava um enorme ponto de interrogação na cabeça dos que se diziam sábios. Até que em um belo dia a Guerra chegou e o menino com toda sua inocência fez brotar o mais belo jardim num campo de puro ódio. 

***

Apesar de ser um livro curto a inocência de Tistu é tão cativante que nos encoraja a fantasiar um Tistu nos dias de hoje. Onde flores são esquecidas e deixadas para trás. 
Lançado em 1957, na França, foi o único livro infanto-juvenil que seu autor, Maurice Duron escreveu. Virou desenho animado na França e adaptação teatral em vários países - incluindo o Brasil. 


Título Original: Tistou Les Pouces Verts
Autor: Maurice Duron
Data de Publicação: 1957
Número de Páginas: 149
Classificação: Literatura Francesa; Infanto-Juvenil
Editora: José Olympio (atualmente Grupo Editorial Record)
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4 comentários :

  1. Tenho certeza que o livro teria uma leitura gostosa, assim como foi a sua resenha haha. Me diverti muito lendo sua resenha!

    Beijos.

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    1. Obrigada Lidi <3

      Leia que você não vai se arrepender!

      Beijocas <3

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  2. OI Becca <3
    Eu não conhecia este livro. Gostei muito da premissa e do seu toque motivacional.
    Amei sua resenha <3
    Abraço, www.likelivros.blogspot.com

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    1. Boa tarde, Érick!

      Ah, pra quem gosta de livros com uma temática infanto-juvenil + ecologia, é uma boa pedida!
      Você vai amar!

      Beijooos e volte sempre <3

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